quinta-feira, 19 de maio de 2011

O amor e o moinho

Cena de "O velho moinho", premiado com o Oscar
(Disney sabia das coisas...)

Ter nos tornado urbanos e civilizados em demasia nos fez perder o conhecimento de muitas coisas.  Os símbolos, por exemplo.  Não esses símbolos que o comércio e a mídia nos empurra mas os símbolos antiquíssimos, os arquétipos, a simbologia das coisas ocultas...
O moinho, por exemplo.  Lembram do moinho, na história da Donzela sem Mãos? Pois é.  Ele reaparece na definição, linda, de Kalil Gibran sobre o amor.  O moinho é pra nós um elemento esquecido na correria do mundo industrializado, onde tudo vem pronto em saquinhos plásticos, inclusive os pensamentos... 
O moinho é o meio pelo qual o grão é transformado em farinha, que faz o pão, alimento do espírito. O moinho representa também o processo criativo, a transformação das idéias.  Na história da Donzela, o moinho abandonado do pai da donzela mostra o afastamento da vida criativa por esse homem que abdicou de sua nobre função de moleiro e se tornou apenas um rude lenhador, deixando-se iludir pelas futilidades do mundo, perdendo assim aquilo que lhe era mais caro, a sua filha amada.
O amor, segundo Gibran, nos mói até a extrema brancura, para que, transformados e purificados de nossas impurezas, possamos participar de algo maior, que é a confecção do alimento divino. Como diz o poeta, assim como o amor nos coroa, ele também nos crucifica.  Sim, porque o amor verdadeiro é um coração que sangra... É com sangue que a mulher dá à luz os filhos; foi com sangue que Jesus selou seu amor  por nós.  Quem vê Vampire Diaries, já sabe:  amor se escreve com sangue...

Como o dia dos Namorados se aproxima, deixo para vocês a sabedoria de Gibran na voz do  Profeta, que transcende as eras.

Então, Almitra disse: “Fala-nos do amor.”
E ele ergueu a fronte e olhou para a multidão,
e um silêncio caiu sobre todos, e com uma voz forte, disse:

Quando o amor vos chamar, segui-o,
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,
Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos
Como o vento devasta o jardim.
Pois, da mesma forma que o amor vos coroa,
Assim ele vos crucifica.
E da mesma forma que contribui para vosso crescimento,
Trabalha para vossa queda.
E da mesma forma que alcança vossa altura
E acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,
Assim também desce até vossas raízes
E as sacode no seu apego à terra.
Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.
Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.
Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma
No pão místico do banquete divino.
Todas essas coisas, o amor operará em vós
Para que conheçais os segredos de vossos corações
E, com esse conhecimento,
Vos convertais no pão místico do banquete divino.
Todavia, se no vosso temor,
Procurardes somente a paz do amor e o gozo do amor,
Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez
E abandonásseis a eira do amor,
Para entrar num mundo sem estações,
Onde rireis, mas não todos os vossos risos,
E chorareis, mas não todas as vossas lágrimas.
O amor nada dá senão de si próprio
E nada recebe senão de si próprio.
O amor não possui, nem se deixa possuir.
Porque o amor basta-se a si mesmo.
Quando um de vós ama, que não diga:
“Deus está no meu coração”,
Mas que diga antes:
"Eu estou no coração de Deus”.
E não imagineis que possais dirigir o curso do amor,
Pois o amor, se vos achar dignos,
Determinará ele próprio o vosso curso.
O amor não tem outro desejo
Senão o de atingir a sua plenitude.
Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos,
Sejam estes os vossos desejos:
De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho
Que canta sua melodia para a noite;
De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada;
De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor
E de sangrardes de boa vontade e com alegria;
De acordardes na aurora com o coração alado
E agradecerdes por um novo dia de amor;
De descansardes ao meio-dia
E meditardes sobre o êxtase do amor;
De voltardes para casa à noite com gratidão;
E de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado,
E nos lábios uma canção de bem-aventurança.

                                                    Extraído do livro O Profeta, de Kalil Gibran

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Mistério

De uma forma inexplicável, Deus vai fechando as nossas feridas...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Oração a meu Deus

Fortalece-me.
O mundo às vezes parece querer engolir-me. 
Livra-me!
Afasta as unhas retorcidas que rasgam minha carne, querendo arrancar o coração de meu peito.
Ilumina-me!
A escuridão goteja à minha volta, esperando um descuido meu para me tomar.
Sara-me!
Fecha com autoridade feridas que teimam em perpetuar.
Unge-me!
Derrama Tua paz  em minhas cicatrizes, tornando-as meus pontos mais fortes.
Adoça-me!
Só Tua brandura pode contra a fúria do mundo.
Alegra-me!
Só o Teu júbilo me torna mais apta a amar.
Concede-me!
As graças que de joelhos peço para os que me são caros.
Ensina-me!
A Tua constante presença praticar.
Ajuda-me!
A  Tua luz no mundo refletir...

domingo, 17 de abril de 2011

O aroma da amizade

Recebi um powerpoint bonitinho sobre a amizade, com slides de flores e a comparação dos amigos com as essências que cada flor exala.

Fiquei pensando que é uma  feliz comparação , essa dos amigos com as essências das flores.  Cada amigo é único, e nos passa uma essência única, que desperta em nós respostas únicas... Um amigo nos engradece com sua coragem e determinação de enfrentar a vida; outro amigo nos ilumina em momentos de dúvida com sua ponderação e equilíbrio.... Há amigos que somente com sua alegria e riso são capazes de nos arrancar da escuridão onde às vezes se perde nossa alma... Há outros que nos guiam para fora dessa escuridão segurando nossa mão ou mesmo nos abraçando pelos ombros se for preciso.  Um amigo é um tesouro único, já explicava  a raposa ao princepezinho...
Cada amigo cumpre nessa vida a missão de nos ensinar um lado, um modo de ver a vida.... Como um cristal de muitas faces, cada amigo nos leva numa viagem única, na sua ótica e na sua compreensão do mundo... Que jornada rica, que jornada maravilhosa, que aventura incrível é cultivar amigos , flores tão diferentes, num lindo buquê que perfuma nossa passagem no mundo.  Aos meus amigos, obrigada por doarem seu perfume à minha vida !


sábado, 2 de abril de 2011

Inimigo meu


Eu, quando escrevo, me interpreto.
Escrever me ajuda a entender melhor o que se agita dentro de mim. Pois muitas vezes não cabemos dentro de nós mesmos, tamanha é a intensidade e a diversidade das emoções que nos tomam, seja nos elevando, seja nos consumindo.
Eu, quando luto, me reencontro.
Lutar me ajuda a acalmar o que se agita dentro de mim.  Pois me coloca frente a frente com o Oponente, com aquele que teima em afirmar que me domina por ser mais forte que eu. 
Lutando e escrevendo, vou exorcizando meus demônios . Escrevendo e lutando, vou derrubando meu inimigo interior, aquele que sabota meu espírito, que  puxa minha alma  para o  fundo do pântano.  Lutando, vou derrubando o medo, hálito sombrio do Inimigo; escrevendo, vou reafirmando meu caminho, para fora da escuridão.

 Na próxima postagem, volto à Mulher-Esqueleto.  Por enquanto ela fica lá, no fundo das águas, esperando que a puxemos para a tona, que a aceitemos e que a levemos conosco, selando assim o nosso próprio resgate...

quinta-feira, 31 de março de 2011

A Mulher-Esqueleto

A história da Mulher-Esqueleto é uma história de amor que falou fundo à minha alma.  Porque como diz a autora, " para amar  é preciso não só ser forte, mas também sábio.  A força vem do espírito. A sabedoria, da Mulher-esqueleto."
Transcrevo a história e, na próxima postagem, comento...

"Ela havia feito alguma coisa que seu pai não aprovava, embora ninguém mais se lembrasse do que havia sido. Seu pai, no entanto, a havia arrastado até os penhascos, atirando-a ao mar. Lá, os peixes devoraram sua carne e arrancaram seus olhos. Enquanto jazia no fundo do mar, seu esqueleto rolou muitas vezes com as correntes. Um dia um pescador veio pescar. Bem, na verdade, em outros tempos muitos costumavam vir a essa baía pescar. Esse pescador, porém, estava afastado da sua colônia e não sabia que os pescadores da região não trabalhavam ali sob a alegação de que a enseada era mal-assombrada. O anzol do pescador foi descendo pela água abaixo e se prendeu — logo em quê! — nos ossos das costelas da Mulher- Esqueleto. O pescador pensou: "Oba, agora peguei um grande de verdade! Agora peguei um mesmo!" Na sua imaginação, ele já via quantas pessoas esse peixe enorme iria alimentar, quanto tempo sua carne duraria, quanto tempo ele se veria livre da obrigação de pescar. E enquanto ele lutava com esse enorme peso na ponta do anzol, o mar se encapelou com uma espuma agitada, e o caiaque empinava e sacudia porque aquela que estava lá embaixo lutava para se soltar. E quanto mais ela lutava, tanto mais ela se enredava na linha. Não importa o que fizesse, ela estava sendo inexoravelmente arrastada para a superfície, puxada pelos ossos das próprias costelas. O pescador havia se voltado para recolher a rede e, por isso, não viu a cabeça calva surgir acima das ondas; não viu os pequenos corais que brilhavam nas órbitas do crânio; não viu os crustáceos nos velhos dentes de marfim. Quando ele se voltou com a rede nas mãos, o esqueleto inteiro, no estado em que estava já havia chegado à superfície e caía suspenso da extremidade do caiaque pelos dentes incisivos.
— Agh! — gritou o homem, e seu coração afundou até os joelhos, seus olhos se esconderam apavorados no fundo da cabeça e suas orelhas arderam num vermelho forte.
— Agh! — berrou ele, soltando-a da proa com o remo e começando a remar loucamente na direção da terra. Sem perceber que ela estava emaranhada na sua linha, ele ficou ainda mais assustado, pois ela parecia estar em pé, a persegui-lo o tempo todo até a praia. Não importava de que jeito ele desviasse o caiaque, ela continuava ali atrás. Sua respiração formava nuvens de vapor sobre a água, e seus braços se agitavam como se quisessem agarrá-lo para levá-lo para as profundezas.
— Aaagggggghhhh! — uivava ele, quando o caiaque encalhou na praia. De um salto ele estava fora da embarcação e saía correndo agarrado à vara de pescar. E o cadáver branco da Mulher-esqueleto, ainda preso à linha de pescar, vinha aos solavancos bem atrás dele. Ele correu pelas pedras, e ela o acompanhou. Ele atravessou a tundra gelada, e ela não se distanciou. Ele passou por cima da carne que havia deixado a secar, rachando-a em pedaços com as passadas dos seus mukluks. O tempo todo ela continuou atrás dele, na verdade até pegou um pedaço do peixe congelado enquanto era arrastada. E logo começou a comer, porque há muito, muito tempo não se saciava. Finalmente, o homem chegou ao seu iglu, enfiou-se direto no túnel e, de quatro, engatinhou de qualquer jeito para dentro. Ofegante e soluçante, ele ficou ali deitado no escuro, com o coração parecendo um tambor, um tambor enorme. Afinal, estava seguro, ah, tão seguro, é, seguro, graças aos deuses, Raven, é, graças a Raven, é, e também à todo-generosa Sedna, em segurança, afinal. Imaginem quando ele acendeu sua lamparina de óleo de baleia, ali estava ela — aquilo — jogada num monte no chão de neve, com um calcanhar sobre um ombro, um joelho preso nas costelas, um pé por cima do cotovelo. Mais tarde ele não saberia dizer o que realmente aconteceu. Talvez a luz tivesse suavizado suas feições; talvez fosse o fato de ele ser um homem solitário. Mas sua respiração ganhou um quê de delicadeza, bem devagar ele estendeu as mãos encardidas e, falando baixinho como a mãe fala com o filho, começou a soltá-la da linha de pescar.
— Oh, na, na, na. — Ele primeiro soltou os dedos dos pés, depois os tornozelos.
— Oh, na, na, na. — Trabalhou sem parar noite adentro, até cobri-la de peles para aquecê-la, já que os ossos da Mulher-esqueleto eram iguaizinhos aos de um ser humano. Ele procurou sua pederneira na bainha de couro e usou um pouco do próprio cabelo para acender mais um foguinho. Ficou olhando para ela de vez em quando enquanto passava óleo na preciosa madeira da sua vara de pescar e enrolava novamente sua linha de seda. E ela, no meio das peles, não pronunciava palavra — não tinha coragem — para que o caçador não a levasse lá para fora e a jogasse lá embaixo nas pedras, quebrando totalmente seus ossos. O homem começou a sentir sono, enfiou-se nas peles de dormir e logo estava sonhando. Às vezes, quando os seres humanos dormem, acontece de uma lágrima escapar do olho de quem sonha. Nunca sabemos que tipo de sonho provoca isso, mas sabemos que ou é um sonho de tristeza ou de anseio. E foi isso o que aconteceu com o homem. A Mulher-esqueleto viu o brilho da lágrima à luz do fogo, e de repente ela sentiu uma sede daquelas. Ela se aproximou do homem que dormia, rangendo e retinindo, e pôs a boca junto à lágrima. Aquela única lágrima foi como um rio, que ela bebeu, bebeu e bebeu até saciar sua sede de tantos anos. Enquanto estava deitada ao seu lado, ela estendeu a mão para dentro do homem que dormia e retirou seu coração, aquele tambor forte. Sentou-se e começou a batucar dos dois lados do coração: Bom, Bomm!... Bom, Bomm! Enquanto marcava o ritmo, ela começou a cantar em voz alta.
— Carne, carne, carne! Carne, carne, carne!
 E quanto mais cantava, mais seu corpo se revestia de carne. Ela cantou para ter cabelo, olhos saudáveis e mãos boas e gordas. Ela cantou para ter a divisão entre as pernas e seios compridos o suficiente para se enrolarem e dar calor, e todas as coisas de que as mulheres precisam. Quando estava pronta, ela também cantou para despir o homem que dormia e se enfiou na cama com ele, a pele de um tocando a do outro. Ela devolveu o grande tambor, o coração, ao corpo dele, e foi assim que acordaram abraçados um ao outro, enredados da noite juntos, agora de outro jeito, de um jeito bom e duradouro.
As pessoas que não conseguem se lembrar de como aconteceu sua primeira desgraça dizem que ela e o pescador foram embora e sempre foram bem alimentados pelas criaturas que ela conheceu na sua vida debaixo d'água. As pessoas garantem que é verdade e que é só isso o que sabem."


 FIM DA HISTÓRIA

sábado, 26 de março de 2011

O corpo jubiloso

À procura da beleza escondida

Para entendermos melhor o sentido da história da Mulher-Borboleta, do poder feminino que emana do corpo, seja ele como for, grande, pequeno, magro, cheio, com ou sem cicatrizes, seja qual for a forma, a idade, o tipo de cabelo:  o poder da Mulher Selvagem é mágico e latente em todas nós, basta que o despertemos.  E ele anseia por despertar !!! Por abrir as janelas da alma, esse poder é um sol que brilha de dentro pra fora, é como a luz da manhã saindo por portas e janelas em direção ao mundo.... Somos poderosas e belas, simplesmente porque somos mulheres, lobas amantes e maternais, companheiras fiéis à sua alcatéia, caçadoras vorazes daquilo que realmente importa, somos a inspiração do divino, as musas da música, das letras, das artes, da natureza... A natureza é mulher, a Terra é mulher....

Para entendemos melhor o poder subjacente, aquilo que está por baixo, e que emana de nós como a luz dos avatares, reescrevo um trecho da Clarissa Estés onde ela mostra, em dois exemplos, que a beleza existe em cada corpo, inclusive no nosso, só precisamos abrir os olhos para enxergá-la, deixar essa luz apagar conceitos e idéias que os outros, coitados, teimam em querer nos inpigir...  Voltemos pois a aprender com as velhas, com os índios, com os antigos, ou seja, com os que realmente sabem....Boa leitura !!!!


“ Passei por duas experiências decisivas quando estava com  vinte e poucos anos, experiências que contrariavam tudo o que me haviam ensinado sobre o corpo até então.  Quando estava num seminário de uma semana de duração para mulheres, à noite junto ao fogo e perto de fontes termais, vi uma mulher nua de cerca de 35 anos.  Seus seios estavam murchos de amamentar; seu ventre, estriado de dar à luz,  Eu era muito nova e me lembro de ter sentido pena das agressões sofridas pela sua pele fina e clara.  Alguém estava tocando tambores e maracás, e ela começou a dançar, com o cabelo, os seios , a pele, os membros todos se movimentando em direções diferentes.  Como era linda, como era cheia de vida.  Sua graça era de partir o coração,  Eu sempre havia ridicularizado a expressão “furacão nos quadris”. Naquela noite, porém, vi um exemplo.  Vi o poder das suas ancas.  Presenciei o que me haviam ensinado a ignorar:  o poder do corpo de uma mulher quando é animado de dentro para fora.  Quase três décadas mais tarde, ainda posso vê-la dançando no escuro e ainda sinto o impacto da força do corpo.
O segundo despertar envolveu uma mulher muito mais velha.  De acordo com os padrões vigentes, seus quadris eram excessivamente parecidos com peras, seus seios eram ínfimos  em comparação, e suas coxas eram totalmente cobertas por finíssimas veias arroxeadas.  Uma longa cicatriz de alguma cirurgia grave circundava seu corpo, indo desde a coluna vertebral até as costelas, como um corte para descascar maçãs.  Sua cintura devia ter a largura de quatro palmos,
Era, portanto, um mistério o motivo pelo qual os homens zumbiam à sua volta como se ela fosse um favo de mel.   Eles queriam morder suas coxas de pêra, lamber aquela cicatriz, segurar aquele peito, descansar o rosto nas teias das varizes.  Seu sorriso era deslumbrante, seu caminhar, extremamente belo.  E quando ela olhava, seus olhos realmente absorviam o que estava vendo.  Vi novamente o que me haviam a ignorar, o poder no corpo.  O poder cultural do corpo é a sua beleza, mas o poder no corpo é raro, pois a maioria das mulheres o expulsou com torturas ou com vergonha da própria carne."

Por Clarissa Estés,  em Mulheres que correm com os lobos